Divulgação da química para estudantes do ensino médio em Serra Talhada ajuda na formação de cientistas
Serra Talhada, no sertão de Pernambuco, a 415 quilômetros de Recife, é conhecida como a "Terra do Xaxado" e cidade natal de Lampião. É berço também de uma iniciativa que desde 2009, com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologias Analíticas Avançadas (INCTAA) e Núcleo de Química Analítica Avançada do Estado de Pernambuco (NUQAAPE), vem buscando estimular o interesse dos adolescentes da rede pública de ensino pela Química. José Francielson Pereira é um dos frutos dessa iniciativa. Ele graduou-se no campus local da UFRPE (UAST), de onde seguiu na carreira acadêmica, e está atualmente na Dinamarca, onde cursa um doutorado sanduíche na Universidade de Copenhague, no departamento de Food Science.
"Eu tinha um professor do ensino médio muito bom em química, que me estimulava bastante, e namorava uma professora da UFRPE, que fazia um trabalho de divulgação da Química nas escolas locais. Quando entrei na faculdade, ganhei uma bolsa de incentivo acadêmico (BIA) e fui trabalhar com ela, a professora Andrea Monteiro (UFRPE/UAST), em projetos de qualidade de água", lembra Francielson. "No fim do curso, ela me incentivou a seguir com mestrado e doutorado, e desenvolvi um trabalho ligado a química forense, que despertou o interesse de um professor na Dinamarca."
Além de Serra Talhada, Pernambuco tem instituições de ensino superior em química em mais cinco cidades do interior. Na capital, a UFPE e a UFRPE oferecem cursos de pós-graduação, e tem bons laboratórios, notadamente para análise da qualidade de combustíveis, química inorgânica, orgânica, eletroquímica, materiais, química ambiental, entre outros. Além desses, é possível também contar com a infraestrutura do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), dirigido pelo prof. André Galembeck. "Aqui em Pernambuco, a principal vocação para a química é a educação – a maioria de nossos egressos é absorvida nos campi no interior e capital da UFPE, UFRPE, IFs", afirma a professora Claudete Fernandes Pereira (UFPE), secretária-regional da SBQ-PE e chefe do Departamento de Química da UFPE. "Não temos um polo industrial que consiga absorver os estudantes."
Atualmente existem pouco mais de 50 sócios em dia com a SBQ em Pernambuco. A professora Claudete, sócia da SBQ desde a época de sua graduação, planeja apoiar ações e criar eventos para divulgar a Sociedade nos vários campi pelo estado. Um exemplo é o Escola de Química Prof. Ricardo Ferreira, evento realizado anualmente pela UFPE para alunos de graduação, com objetivo de divulgar as pós-graduações, realizar minicursos e simpósios. "O aluno é um desafio maior devido à questão financeira, mas precisamos falar com eles. Já para os pesquisadores e professores, é preciso mostrar o que a SBQ já fez por nós – eles tendem a perceber a importância da representatividade da Sociedade", diz. "Tivemos recentemente um evento muito bom do JBCS com a professora Solange Cadore (Unicamp). É um modelo que pretendo repetir. E no caso dos estudantes, pretendemos apoiar a ação da professora Andrea Monteiro, em Serra Talhada, entre outras."
Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)
