Podemos dizer que existem tantas histórias quantas pessoas existirem para contá-las. No caso da química, estudantes e professores têm contato com histórias que são repetidas em um livro-texto atrás do outro e, diante da quantidade de conteúdo a estudar, raramente questionamos sua origem e veracidade. Um caso clássico é o da síntese da ureia por Friedrich Wöhler, em 1828. A narrativa tradicional apresenta esse experimento como o marco fundador da química orgânica e como um golpe decisivo na teoria da força vital (Lebenskraft), segundo a qual a formação das substâncias orgânicas dependeria de uma força própria dos seres vivos. É uma boa história. Mas você já se perguntou até que ponto ela corresponde ao que os próprios químicos pensavam e faziam em 1828?
