INTERFACES ENTRE DROGA E EDUCAÇÃO


Alexandre da Silva Antunes (FM) 1 , Katia Christina Leandro Antunes (FM) 2, Jaylei Monteiro Gonçalves (FM) 3

Colégio Militar do Rio de Janeiro1 , Centro Educacional da Lagoa1 , Escola Estadual João Kopke1, Escola Estadual Agripino Grieco 2 , Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro 2,3


Palavras- chave: ensino de química, substâncias psicoativas, interdisciplinaridade


Introdução:

Para alguns, a droga é uma das causas dos problemas atuais em nossa sociedade mas, na verdade, é conseqüência, por exemplo, de vários fatores sociais como: grande valorização do prazer, crises de identidade social e de valores, mal estar social e uma sociedade fortemente consumista e competitiva. Vivemos em uma sociedade que dá mais valor ao prazer atual do que a saúde futura, portanto a prevenção de fatores (psicológicos ou biológicos) que talvez aconteçam ou que acontecem muito lentamente é muito difícil principalmente na adolescência quando se vive muito mais em função do momento, porém atualmente é consenso mundial a necessidade de investir em programas de prevenção.

De acordo com Bucher, 1992, a relação entre usuário e droga constitui-se de uma tríade entre: a personalidade do usuário (psicológico), o produto que ele consome (farmacologia) e o meio no qual o consumo evolui (contexto sócio-cultural). Assim, um programa preventivo não pode ser colocado apenas em informações técnicas sobre a droga e seus efeitos, mas tendo uma abordagem multidisciplinar contextualizando o aluno e a droga na sociedade, caracterizando as múltiplas relações existentes. Portanto, a química é apenas um dos segmentos do trabalho global, cabendo-lhe tratar fundamentalmente a substância psicotrópica e suas vertentes.

Objetivo:

O trabalho propõe um modelo interdisciplinar na abordagem do tema droga no ensino médio e caracterizar conhecimentos prévios e crenças populares em relação ao consumo de substâncias psicotrópicas.

Métodos:

Em uma reunião entre direção, coordenação, professores e funcionários escolheu-se o tema “drogas” para ser abordado nas três turmas de 2a série do ensino médio. O tema central foi desenvolvido por todas as disciplinas diretamente (articulando conteúdos) ou indiretamente (utilizando técnicas de ensino diferenciadas).

Foi aplicado um questionário preliminar que continha: identificação (idade, sexo, percentagem de trabalhadores e fumantes) e concepções prévias sobre: malefícios físicos do cigarro, maconha, álcool e cocaína; motivos que levam uma pessoa a iniciar o uso de drogas.


Resultados:

O aluno apresentou média de 22,5 anos com 63% de trabalhadores e 21% de fumantes, sendo 67% do sexo feminino e 33% do sexo masculino. Resultados dos motivos que levam ao início do uso de drogas foram: curiosidade (18,5%), pressão dos amigos (16,2%), para “tirar onda” e por causa do vício (13,5%).

Com relação aos malefícios causados pelas drogas, o número mais importante é o somatório dos que não responderam com os que não souberam responder e os seguintes resultados foram obtidos: cigarro (5,0%), álcool (33,2%), cocaína (48,9%) e maconha (62,0%). Estes números evidenciam o conhecimento geral do aluno sobre cada droga, desta forma drogas como a cocaína e a maconha apesar de intensamente abordadas na mídia têm pouca representação técnica e científica para os alunos.

O enfoque humanista valorizando o ser humano vem de encontro com um dos aspectos da prevenção ao uso indevido de drogas que é a valorização da vida e do indivíduo, enfatizando as atitudes de uma vida saudável sem drogas. Tal abordagem estimulou o aluno não apenas para a aprendizagem dos conteúdos formais, mas na abertura de um canal de comunicação bilateral entre aluno e escola. Várias atividades extra-classe foram organizadas pelos alunos e professores intensificando a interação entre eles.

Conclusão:

A procura pelo tema droga no meio educacional tem aumentado nos últimos anos por políticos, diretores, professores e alunos. Esta proposta mostra como as substâncias psicotrópicas podem interpenetrar adequadamente no curriculum do ensino médio e no cotidiano escolar.

A “questão das drogas” não pertence apenas aos especialistas, mas a todos os membros de nossa sociedade. Temos a obrigação, como educadores, de, no mínimo, informar. Porém uma proposta preventiva não é um “bicho-de-sete- cabeças”, mas não pode ser focada de uma maneira simplista e nem abordada isoladamente da escola como um todo, lembre-se, informar não é formar e portanto não conduz a mudanças de atitude e/ou visão.


Bibliografia:


BUCHER, R. Drogas e Drogadição no Brasil. Porto Alegre: Artes Médicas Sul Ltda, 1992.

MINAYO, M.C.S. Fala, Galera: juventude, violência e cidadania na cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Garamond, 1999.

SANTOS, R.M.S. Prevenção de Droga na Escola: uma abordagem psicodramática. Campinas: Papirus, 1997.

BAPTISTA, M. e INEM, C. Toxicomania: uma abordagem multidisciplinar. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1997.

CHASSOT, Áttico. Para Que(m) é Útil o Ensino?. Canoas: Ulbra, 1995.