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V Workshop de Química: A ciência central

nos dias 7 e 8 de Dezembro de 2016 a Sociedade Brasileira de Química (SBQ) - Regional Viçosa, apoiada pelo Departamento de Química da Universidade Federal de Viçosa (DEQ‑UFV), realizará o “V Workshop de Química: A Ciência Central” no qual pretende-se comemorar os 100 anos da Academia Brasileira de Ciências, 100 anos da Teoria de Lewis e 45 anos da Criação do Curso de Química na UFV.

Comemorar datas de importância na ciência significa reconhecer, reviver e homenagear as pessoas, os locais e as teorias que fizeram a história. A memória é história viva e vivida e permanece no tempo, renovando-se. A história viva é, portanto, o lugar da permanência. A memória não faz corte ou ruptura entre passado e presente porque retém do passado somente aquilo que está vivo ou capaz de viver na consciência do grupo que a mantém1.

Um século da teoria de Lewis

Há 100 anos o norte-americano Gilbert Newton Lewis publicava o mais importante de seus artigos, em que descrevia uma única ligação por dois cubos compartilhando um vértice, ou, de forma mais simples, por pontos duplos, que se tornaram conhecidos como estrutura de pontos de Lewis. Seu modelo, embora com limitações, é um marco na história da Química. Segundo o professor Pierre Mothé Esteves (UFRJ) Lewis resumiu quatro mil anos de química nessa teoria. Ele trouxe o elétron para as pesquisas químicas2.

Lewis nasceu em 1875, em Massachusetts, filho de um advogado e uma dona de casa. Foi educado em casa e alfabetizado aos três anos. Ainda criança mudou-se com a família para o estado de Nebraska, onde iniciou os estudos superiores. Terminou seu bacharelado em Harvard em 1893. Foi nessa mesma universidade que concluiu mestrado e doutorado, ainda no século XIX. Faleceu em seu laboratório em 1946, por envenenamento, em circunstâncias não plenamente esclarecidas. Lewis é talvez o último dos químicos antigos, um obstinado pela ciência, muito elegante em suas pesquisas e textos, mas de gênio rebelde. Influenciou Pauling, que frequentava sua casa, debateu com Einstein, deixou muitas contribuições. Lewis foi indicado ao Nobel mais de uma vez, mas nunca conquistou o prêmio2.

No V Workshop de Química: A ciência central, pretendemos convidar cientistas para relembrar a teoria de Lewis e seus impactos na Química.

Um século da Academia Brasileira de Ciência

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) foi criada em 3 de maio de 1916 por alguns cientistas de renome, entre eles Henrique Morize, seu primeiro presidente. Comparada às academias da Europa, a ABC é jovem. Em 10 de maio de 1747, Dom João V proibiu a impressão de livros no país e, em 1785, Dona Maria I, "a louca", proibiu manufaturas no Brasil. Apenas a partir de 1808, quando a família real se transferiu para o Brasil e precisava de imprensa, escolas de medicina e outras inovações, o país começou a se desenvolver, sendo criado o Jardim Botânico, o Museu Real entre outros locais de interesse científico. Após a independência, em 1822, surgiram faculdades de direito, o Observatório Astronômico, o Instituto Agronômico de Campinas e outras importantes instituições.

Quando a ABC foi fundada, tinha 43 sócios, nas áreas de físico-química, ciências biológicas e matemáticas. A maioria era do Rio de Janeiro. Atualmente a ABC conta com mais de 900 membros, entre titulares, correspondentes, associados, colaboradores e afiliados.

No V Workshop de Química: A ciência central, pretendemos convidar cientistas da ABC para apresentar a academia, relembrar seu passado e sua atuação para o desenvolvimento da ciência.

45 anos do curso de Química da UFV

O Departamento de Química (DEQ) da UFV é uma unidade da Universidade dentro do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas. O DEQ é majoritário no oferecimento de disciplinas para três cursos, Bacharelado em Química, Licenciatura em Química e Bacharelado em Engenharia Química, além de oferecer disciplinas também para vários cursos de graduação da UFV. O DEQ nasceu praticamente junto com a Escola Superior de Agricultura e Veterinária do Estado de Minas Gerais (ESAV). As disciplinas do curso de Química foram oficializadas no decreto 7323, de 25 de agosto de 1926. O DEQ foi estabelecido em 1929, no Cap. IV, Art. 26 do estatuto da ESAV. Em 1948, com a criação da Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, o DEQ passou a constituir o Instituto de Biologia e Química, situação que perdurou até 1969. Com a criação da UFV em 1969, o DEQ passa a integrar o Instituto de Ciências Exatas que mais tarde veio a ser o Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas no qual o DEQ faz parte até a presente data. Portanto, a Química esteve sempre presente desde a criação da Instituição, porém, faltava a formação de químicos. Assim, no dia 14 de outubro de 1971 o Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão da UFV aprovou a criação do curso de Química na modalidade Bacharelado, constando na ata No 21 daquele conselho e reconhecido pelo MEC através da portaria No 405 de 29/09/1982.

O DEQ, hoje, majoritário no oferecimento de disciplinas do curso de Química, possui um corpo docente de 46 professores, constituído na sua totalidade por professores com doutorado em Química, que atuam em regime de tempo integral e dedicação exclusiva. Oferece em média 50 disciplinas por ano, atendendo a aproximadamente 4.000 matrículas anualmente. Para os três cursos de graduação administrados pelo DEQ, são oferecidas 60 vagas para o curso de Química no período diurno, no qual os alunos podem optar pela habilitação Bacharelado ou Licenciatura, e 40 vagas para o curso de Licenciatura em Química no período noturno, além de 40 vagas para o curso de Bacharelado em Engenharia Química.

O DEQ é também responsável por três programas de Pós-graduação: Agroquímica (Mestrado e Doutorado), Multicêntrico em Química (Mestrado e Doutorado) e Engenharia Química (Mestrado).

Nesse ano de 2016 comemoram-se 45 anos da criação do curso de Graduação em Química, pela Resolução nº 21/CEPE, de 14/10/1971 com a realização do vestibular em janeiro de 1972.

O evento tem como objetivo apresentar a importância de uma teoria científica para o desenvolvimento científico e a importância das instituições científicas para o desenvolvimento de um país. Pretende-se mostrar, por meio de palestras, importantes avanços da ciência, a importância da teoria de Lewis para a ciência Química, além de comemorar os 100 anos da Academia Brasileira de Ciência, 100 anos da teoria de Lewis e os 45 anos do curso de Química da UFV.

Referências

1HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. 1. ed. – São Paulo: Centauro, 2006.

2ESTEVES, Pierre Mothé. 100 anos da Teoria de Lewis é foco de debate na 39ª R.A., In: Notícias SBQ: http://www.sbq.org.br/39ra/noticia/100-anos-da-teoria-de-lewis-é-foco-de-debate-na-39ª-ra, 2016.

 

3CUDISCHEVITCH, Clarice. ABC: 100 anos de luta pela ciência. In: Notícias ABC: http://www.abc.org.br/article.php3?id_article=7911, 2016.